Os créditos deste post vão para a Karina, que tirou as fotos, e para o Fábio, que fez a edição das imagens. O resultado ficou bom, mas ao vivo essa vida aquática é bem mais bonita, no meio de tanta pobreza.
Fomos novamente à praia do Sangano no domingo. É uma praia distante 80 km de Luanda, depois do Miradouro da Lua, do Parque do Kissama e do rio Kwanza.
Tudo continuou igual como do outro final de semana: de uma metade a praia equatorial, de águas agitadas e quentes, de fundo arenoso e irregular, de siris espectrais enterrando-se nos buracos, de famílias abrindo suas geleiras e devorando sandes e Cuca (a cerveja angolana), dos bangalôs de tijolo, do final da praia rochoso e intransponível. Do outro lado, a vila de pescadores, com suas taperas e seus barcos e suas redes e os seus pescadores com suas colheitas (seis lagostas por 1000 kwanzas) e suas crianças sequeladas por anos de kwashiokor e maresias – daqui quanto tempo serão zungueiras? Numa das pontas o varal-cemitério de peixes a salgar no sol, para saciar a fome de quem aprecia o bacalhau angolano, uma mistura equilibrada de peixes pargos, corvinas, garoupas e outros seres marinhos: arraias e enguias. Um outro pôr-do-sol.
Neste dia havia um outro cemitério de peixes trazidos pela maré e enterrados pela superpopulação de caravelas. Já dizia a medicina popular santarenha e de qualquer outra localidade marítima que para ferroada de arraia ou queimadura de caravela, o melhor emplastro é urinar no local da queimadura. A dor melhorou consideravelmente.