Mostrando postagens com marcador hepatites. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador hepatites. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 20 de março de 2008

A medicina do viajante

Existem os médicos, os enfermeiros, os charlatões, os curandeiros, as avós e as mães, as mães pretas, os médicos expatriado, os padres, os incrédulos, os miasmáticos, não necessariamente nesta ordem.

E o que segue foi o que o motorista comentou hoje cedo à caminho do trabalho. Quando ele era pequeno ficou com olhos amarelos, o xixi escuro, o cocô branco parecendo de gato, uma coceira no corpo e cansaço, muito cansaço. Os seus irmão tiveram os mesmos sintomas na época. Não havia (ou não há até hoje?) saneamento básico. Eu entendi que ele ficou ictérico, apresentou colúria, acolia fecal, prurido no corpo e pelo vínculo epidemiológico pensei na hipótese de hepatite viral, provavelmente pelo vírus “A”. Não há tratamento específico para esta hepatite.

O paciente em questão desta crônica de viagem disse que curou-se com tomadas duas vezes ao dia, durante uma semana, de um punhado de carvão amassado com a parte amarela do ovo de galinha, além dos banhos com ervas. Minha avó mandava um quilo de suspiro por semana para minha casa. Eu recomendo repouso, hidratação. Se curou? O motorista acredita que sim. Eu tenho saudades da minha avó e de suspiros. E continuam a existir as mães pretas.