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Um pouco de gim, uma rodela de limão, tónica e gelo a gosto. Vamos começar os autos.
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Escrevo primeiro sobre certas vietnamintas de Ho Chi Minh de tempos pós colonialistas, fugidas de alguma toca sórdida de Luanda Baixa e que vestem-se sem qualquer critério, seguram seus cigarros em mãos trêmulas e amavelmente sorriem àqueles que cruzam o seu vago olhar.
Escrevo ainda sobre certas angolanas que saem na surdina de seus musseques, sumariamente vestidas e com o rosto todo borrado de pó e ruge (nem de longe lembram bonecas de porcelana chinesa de outros tempos colonialista) e que carregam ao tiracolo seus brancos velhacos e desacreditados.
Escrevo por fim (ainda não) sobre expatriados de um país distante do outro lado e de cá e que conheceram-se há alguns meses, por intermédio de um aliciador comum (que intenso, não?) e que desejam muito falar de si, de ouvir novas histórias e sonhos, conversam sobre ceviches de peixes brancos e cervejas homónimas. E que lentamente vão cercando-se, eriçando suas penas de pavões em noites de núpcias e preparando-se para o bote. Casa, saudades, mãe, carinho, solidão, medo, angústia.
E então o lápis começa a devanear sofregamente sobre a folha de papel amarelada a ponto de querer machucá-la e decifrar no segredo das nódoas (“não, não, isso não é uma xícara de café, é mais uma outra dose de gin tónica”) uma resposta para uma pergunta simples e decisiva:
– Quantos estertores ainda serão precisos para constatar que ficaremos sentados a noite inteira neste sofá?
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(Existem os cargueiros a espera dos trâmites alfandegários na outra margem da Baía de Luanda abarrotados de gin tónica a apodrecer os ratos.)
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– Mais tônica, por favor!
2 comentários:
Aliciador!!! hahaha
naliz
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