e nem mesmo das personagens babilônicas desta representação torpe e sem sentido que vem a ser estardesteladodecá, senhoras e senhores, ladies e gentlemen, as principais novidades deste circo dos horrores: o caubói russo à la harleydavidson e sua trupe de doutoras hermanitas e cubanas (“mucho gusto, yo soy lo remordimiento triste de Silvio Rodriguez, el cantante cubano que . . . bien, yo te estraño, cariño”), o casal trans-siberiano interrogativo e tão orientados quanto um avião de papel que aprende-se a dobrar logo nos primeiros anos de vida, o maratonista oriental com sua maleta 007, a última tecnologia em armazenamento de dados e um carro sem gasolina, suba aí, vamos para o mesmo lugar, a senhora vietnamita com seus chás cardiotônicos para indicações psíquicas e outros chistes (aplausos) e além, é claro, de uma amostra dos de sempre: os pescadores, as zungueiras, as crianças, os cachorros vadios, as galinhas, o peixe seco, o homem desconfiado, quilos de banana, quilômetros de estrada, imbondeiros, abacaxis, a polícia, chineses, brasileiros, expatriados de maneira geral, batatas da terra, carvão, a televisão estatal, bilhetes cancelados, lagostins, poeira, desminagem, mais crianças, escombros, carvão, arquitetura colonial, etc etc etc inúmeras vezes, misture uma porção de cada e deixe cozendo em fogo brando por trinta longos sóis e terá-se o leitmotif desta música triste que é estar neste lado de cá. (talvez nem fosse sobre Sumbe que precisasse falar, mas apenas exorcizar as águas profundas destas baías turbulentas).- Veja só, você foi aquela felicidade clandestina dos famintos que mordem o naco de pão depois de terem percorrido o longo deserto, a sensação quente de qualquer aperto ou carícia depois da longa ausência, mas tudo isso dura pouco, porque a clandestinidade só é sustentada por certos períodos e promessas de amores sem fim, caminhos cruzados e todo o blá blá blá sentimentalóide que você quer que eu engula como se fosse uma iguaria nababesca e amanhã ou depois diremos adeus e adeuses, é melhor dizer adeus quando estamos de partida para evitarmos não-ditos mais para a frente e à frente está a enigmática Igreja geométrica que já ficou para trás, vigiando toda a costa, diametralmente oposta (quantas idéias baratas) ao Farol metralhado e que não orienta mais nada, (e olhe só que o casal comunicou-se muito pouco)
a biografia que conta o que faltava
Há 7 meses
4 comentários:
Continuo a aqui vir e a gostar...
João, estou aqui acompanhando os seus belos apontamentos.
Tudo de bom pra você.
Ju Ribeiro.
Ju,
bom dia, tudo bem?
pois é, gostaria de escrever mais sobre estas experiências, mas ando sem tempo. que bom que você está acompanhando!
e o churrasco de cinco anos, tem alguma programação?
boa semana,
um beijo,
João.
Oi João além dos seus textos maravilhosos suas fotos são de livro ...
Maior saudade de voce!
Postar um comentário